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The Americans - Um retrato da Guerra Fria

The Americans - Um retrato da Guerra Fria

Encerra-se, após 6 temporadas e 75 episódios, The Americans. A série americana, da emissora FX, desde seu início mostrou-se contundente e, sobretudo, imparcial, algo deveras importante à medida em que propõe a abordagem da espionagem russa, em solo americano, durante a Guerra Fria - mais precisamente em seu estágio derradeiro.

A série se concentra na família Jennings. Pais, Elizabeth e Philip, e filhos, Paige e Henry. Todos eles bonitos, razoavelmente bem sucedidos financeiramente e vivendo no subúrbio de Washington. Isto é, um perfeito "this is America", a lá Reagan propaganda. O porém, o bem enorme porém, é que Elizabeth e Philip são, na verdade, Nadezhda e Mischa, espiões soviéticos forçosamente treinados e unidos com a intenção de operarem missões a mando do Partido, e sem levantar a menor suspeita. Como ingrediente, o vizinho e bom amigo, Stan Beeman, é agente do FBI e encarregado justamente à caça de espiões soviéticos. Desde já, o cenário agrada. Uma oposição oculta (Beeman/Jennings) foi também fortemente explorada em Breaking Bad, por exemplo, com Walter e Hank, e em Dexter, com o personagem-título trabalhando no departamento de polícia que passa a investigar seus próprios homicídios.

Em tempos (atuais) de polarização política, não somente em terras tupiniquim mas especialmente onde se autoproclamam América, o embate entre capitalismo e socialismo, Reagan e Gorbachev, foi conduzido por The Americans, como já dito, de modo imparcial. Se por um lado a série enfatiza as facilidades do modo de vida americano - e a isto, com o passar da série, ver-se-á Philip cada vez mais atrelado -, por vezes unindo-se a flashbacks que remontam a difícil infância das personagens na União Soviética, por outro lado a série não deixou de recriar uma imagem fiel da luta soviética, partindo da premissa de que cada povo tem sua história, contexto, e, portanto, maneira de lidar com sua existência cotidiana e política. O retrato dessa luta, com o decorrer da série, penderá mais para Elizabeth, com certa dúvida a respeito pairando sobre Philip. Se configurará, aos poucos, uma oposição entre o casal, que também não deixará de ser, muitas vezes, oculta em prol do bem-estar em família, por assim dizer.

Dito, portanto, em poucas palavras e sem spoilers um apanhado geral e opinativo sobre o contexto da série, devo concluir afirmando que The Americans se une a um número bem limitado de séries dramáticas que, de certo modo, possuem um roteiro fechado, no qual o passar das temporadas traz uma clara evolução coerente da trama, sem altos e baixos, apenas constância, com uma execução slow burning, lenta e detalhada. E escrevo isso na manhã do dia 30, antes da existência do episódio final. Sem medo, pois a excelência que a série apresentou durante 6 temporadas traz a certeza de um final digno. Lamento, apenas, que ao menos por ora as premiações principais não tenham reconhecido a qualidade de Американцы.

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Charles Pichler
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Fã de narrativas lentas, portanto assíduo da HBO. Considera The Wire e The Sopranos duas das melhores criações, junto a Breaking Bad, da tevê americana. Séries favoritas: Breaking Bad, The Wire, The Sopranos, Louie.

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