Supernatural - O 13 é o da sorte
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Supernatural - O 13 é o da sorte

Supernatural encerrou sua 13ª temporada na última semana e, ao contrário do que muita gente previa há alguns anos, a série consegue manter um público fiel, mesmo abusando de reciclar mais do mesmo, o que não é nenhum demérito.

Depois de 13 anos explorando todo ponto de ideia possível, expandindo a própria mitologia, que trouxe - de forma que agradou muito a maioria dos fãs - até a presença do próprio Deus, algo que até o décimo ano da série parecia fora de cogitação, Supernatural conseguiu encerrar mais uma temporada sem se abater com a idade. 

Claro, já vimos os irmãos morrerem várias vezes e foi só há quatro temporadas que Dean terminava acordando como um demônio, mas, depois de tanto tempo na estrada, há de se admitir que não há muito de novo para se criar e o que vale é como se pode trabalhar com as ferramentas em mãos para ainda prender o público e, quanto a isso, essa última temporada foi eficiente na maior parte do tempo.

A estratégia de unir personagens novos (Jack) com os antigos, inclusive alguns que foram resgatados (como Bobby e Charlie, embora com atuações bem pequenas) e os que receberam um novo direcionamento (Gabriel, Rowena) também foi acertada para dar fôlego extra, inclusive com Lúcifer. Matar o personagem na cena final também serviu para terminar de vez com o seu ciclo na história que já estava desgastado e só sobrevivia graças ao carisma de Mark Pellegrino.

Outra decisão acertada foi não sacrificar personagens apenas para chocar os fãs (Mary, Bobby ou Jack) e deixar a sensação de que estavam ali apenas para fazer uma participação especial. O mesmo vale para Ketch, que sem dúvida pode ter uma utilidade interessante no próximo ano. 

Mais uma coisa que Supernatural aprendeu a fazer como poucas séries, foi não ignorar a trama principal da temporada por conta dos episódios fillers. Em uma série com tantos episódios e temporadas, isso é super natural (com trocadilho), mas muitos programas simplesmente esquecem do problema principal e agem como se nada estivesse acontecendo, um grande equívoco, na minha opinião. Já Supernatural sempre cita ou ilustra onde estamos na história, nem que seja para justificar um "novo caso pouco relevante" com a falta de avanços para o problema principal. 

Por fim, como sempre acontece, Supernatural teve na temporada um episódio totalmente focado no humor e beirando o non sense, dessa vez com a participação da Turma do Scooby. Esse é um terreno que poucas séries podem explorar com tamanha liberdade quanto a dos Winchester e, como fã de ambos os programas (Scooby Doo sempre foi meu desenho preferido), posso dizer que foi um evento quase catártico e me senti disposto a ignorar até alguns exageros (com a Daphne e a Velma, principalmente). 

Enfim, a 13ª temporada de Supernatural chegou ao fim mostrando que é possível trabalhar de forma consistente mesmo com tanto tempo de rodagem. Que é preciso criatividade para definir novos rumos, apresentar um pouco (muito) de mais do mesmo e, ainda assim, entregar uma série que agrada a maioria dos fãs.

Pode não ser o melhor programa em exibição, mas quantos deles podem se gabar de manter um público fiel mesmo depois de tanto tempo, com um "season finale" capaz de gerar tensão pelos personagens e até uma ponta de tristeza pela morte de Lúcifer?

Claro, sabemos que no ano que vem, em algum momento, Dean vai se libertar do controle de Miguel e muitas obviedades esperadas vão acontecer. Mas a graça está justamente em ver como a criatividade dos roteiristas vai nos levar a isso. Até aqui, o saldo é positivo e tem funcionado na maioria das vezes. 

Pois então, que venha mais um ano e vida longa aos Winchesters.

Luciano Rodrigues
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Jornalista, escritor, assessor de comunicação e palpiteiro de plantão.

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