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RESENHA SÉRIE: THE HANDMAID'S TALE (2ª TEMPORADA)

RESENHA SÉRIE: THE HANDMAID'S TALE (2ª TEMPORADA)

Como nos outros 12 episódios, eu vejo em "The Word" (S02E13) um simbolismo inegável.

Antes, leia aqui sobre as impressões da 1º temporada.

Se quiser saber mais sobre outra série baseada num livro da Margaret Atwood, clique aqui.


Palavras são poderosas, tanto as ditas como as não ditas. As ditas por Tia Lydia (Ann Dowd) escancaram a sobrevivência, as de Nick (Max Minghella) o sofrimento, as de Serena (Yvonne Strzchowski) a condenação, as de Fred (Joseph Fiennes) o engrandecimento.

Foi usando a palavra que a República de Gilead LEGALMENTE se estabeleceu tomando de assalto a terra da liberdade; e Offred/June (Elisabeth Moss) suportando toda a dor, escolheu também espalhar a palavra por Eden, uma que contraditoriamente renegamos e necessitamos ao mesmo tempo: o amor. Foi ela que lentamente tomou conta da narrativa em diversos pontos da temporada.

Eden (Sydney Sweeney) é um fruto de Gilead, e June usou a palavra para lhe dar tudo aquilo que Gilead lhe entregou e distorceu no arranjado casamento com Nick. Foi nesse sopro que a fez abraçar a morte, foi aí que enxerguei um futuro para os incautos que irão nascer naquele regime. June não poderia deixar Holly, seu (malfadado) fruto, naquele lugar e foi o amor que ainda vive na quebrada Serena que a fez abrir mão de sua falsa maternidade.

Inocentes, as crianças não precisam ter o mesmo destino que Eden teve.

"The Handmaid's Tale" continua sua jornada demonstrando o poder da palavra, do câncer da distorção das mesmas escritas na Bíblia que regem Gilead e outros templos fanáticos, das palavras de homens Comandantes que reconheceram NÃO viver sem as mulheres e que por isso as fazem ajoelhar ironicamente retirando as palavras daquele mundo e tornando as suas leis absolutas.

A segunda temporada de THT foi cheia de sentimentos e dicotomias, mas achei interessante perceber que entre aqueles que, induzidos por uma narrativa cada vez mais dura, simplesmente queriam ver a June livre, leve e solta rumando para o Canadá liderando uma revolução que tem que vir, e escancarando também uma nossa falta de tato diante a não tão ficcional situação de Gilead.

O que mais queríamos que June fizesse naquela ditadura teocrática?! Fugir seria simples demais se entendemos a utopia dos sonhos como algo a ser almejado.

Salvar os EUA, enfraquecido e tomado por um discurso populista, das mãos de Gilead tem que nascer de dentro, e não do refúgio canadense que foi mostrado por Lucas (O.T. Fagbenle) e Moira (Samira Wiley). Personagens que carregam dores e que paralelamente são como nós, livres para dizer qualquer palavra, mas cerceados por serem refugiados de Gilead.

O que Lucas poderia fazer lá do Canadá além de escrever em cartazes ou tentarem tramar um atentado contra Fred? June cresceu e amadureceu suficientemente em "Holly" (S02E11) abrindo mão de si mesma, depois que Gilead forçou-a a isso.
 


Evidente que, entre idas e vindas, o ódio daquela risível República aumentou consideravelmente a cada episódio, e ao final da temporada em "The Word" me perguntei porque ela não fugiu de uma vez. Então refleti, e foi aí que naquela situação desesperadora, também enxerguei uma mudança de status quo corajosa, baseado na própria série que não abraça o simplismo.

THT pode acusada por ser muita coisa, mas nunca de passível. Compreendo quem acusou a série de ter se tornado um "pornô de tortura", como compreendo aqueles que (como eu) entendem que certas coisas PRECISAM ser mostradas; entendo quem gostou do final, como entendo aqueles que veem a narrativa "andando em círculos". Entendo os eteceteras. Mas olhe bem para a história, olhe para o mundo real. Revoluções são lentas, e a realidade é dilacerante. Os dois lados estão certos; mas enxergo exageros, tão quanto compreendo as ponderações.

Bom, poderia aqui remoer porque THT é uma série fundamental nos tempos atuais. Isso já foi dito, pois são inúmeros os paralelos que podemos fazer em diversos aspectos do mundo real. Chega a ser assustador. Mas agora entendo que é preciso olhar também de outra forma para a série.

Resta agora saber como a série se portará com o fico de June nessa segunda temporada que se distancia do livro, mas inspirada nele repassa sua mensagem adiante com ainda mais força. Tudo aponta pra queda de Gilead. Quando? Não sei. Mas como "Westworld", THT é uma jornada (angustiante) em que é fundamental enxergar a sua simbologia diante à realidade.

Nua e crua, como deve ser, para que sequer emulemos a vontade de abrir mão da liberdade pelo que supostamente "é bom".

Clube Minha Série
André Prado
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