RESENHA SÉRIE: THE FLASH (4ª TEMPORADA)
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RESENHA SÉRIE: THE FLASH (4ª TEMPORADA)

Leia também as outras resenhas da série do homem mais rápido vivo:

1ª Temporada - Aquele estilo quadrinesco delicioso
2ª Temporada - Mexer com o tempo não é boa coisa
3ª Temporada - O dramalhão de Savitar

A vida e a famigerada "cultura pop" na minha cabeça funciona assim:

1. Se não gosta, não assista;
2. Se não gosta, critique, mas entenda o contexto;
3. Se assiste e gosta, entenda o contexto e critique.

OBS: Numerei pra ficar até mais fácil de visualizar.

Num presente que os teóricos Theodore Adorno e Max Horkheimer virariam sua mãe e diriam: "eu avisei", a cultura é mercado e mercado é cultura. Então olha só, existe conteúdo para todos e para todas as idades, e se você consome algo, deve entender sobretudo o seu contexto. Portanto, não vou e nem posso cobrar da série "The Flash" a mesma complexidade e o mesmo tino dramático de um Westworld, ou a delicioso cinismo de Fargo. Não. "The Flash" é para quem gosta de quadrinhos e o canal em que está (CW), é direcionado para o nerd adolescente. Mas se você ler as minhas críticas das últimas três temporadas da série, em altos e baixos, irão notar um certo padrão: a falta de cuidado.

"Legion" é um exemplo de uma série heroica (X-Men) que pensa fora da caixinha e não tem nenhuma vergonha de manter uma cara, já "The Flash" e todas as outras séries do Arrowverse da CW navegam de acordo com os números de audiência - que são bons. Entendo que não se mexe em time que está ganhando, e para quem gosta do herói escarlate - e que como eu, torceu o nariz e vibrou com o personagem no filme da "Liga da Justiça" (não que isso seja parâmetro pra muita coisa), entende que a falta de perspectiva da série atualmente esbarra na falta de coragem em estabelecer essa cara.

Lembrem-se da primeira temporada. A leveza e bom humor que relevariam qualquer furo de roteiro, deu lugar a uma certa "maturidade" do herói e da STAR Labs, o que fez eles se levarem a sério demais e levantou a bola do dramalhão característico das séries da CW.

Só que depois de uma 3ª temporada que pairou entre o medíocre e o desastroso, o desafio da 4ª temporada séria quebrar o status quo que a série estabeleceu. Os velocistas viraram maldição e transformaram o pobre Barry Allen (Grant Gustin) em meme, afinal, tanto o Flash Reverso, o Zoom, o Savitar quedeustenhapiedadedenós eram mais rápidos que nosso amado herói.

Era a hora de quebrar isso.


E assim a figura do Pensador se fez através de Clifford DeVoe (Neil Sandilands), que explicitava literalmente que era hora de usar a cabeça mais que as pernas; deixando de lado a ideia das viagens temporais onde o ápice foi arco Flashtime na temporada passada, que pra variar, transformou nosso Barry em meme. Mas tal qual na temporada passada (e passada) e em um buraco temporal próprio, a série caiu no limbo entre boas ideias e péssima execução persistindo no absurdo de Flash ser um herói que pouco corre nessa temporada, numa continuação irônica toda a preparação do herói para evitar que Savitar matasse a sua amada.

Reutilizando arcos, motivações, lições, e dramas (com a devida choradeira do casal Barry/Iris). Na 4ª temporada a série propõe mudanças significativas em diversos episódios, mas abre mão das mesmas, com a reutilização de tais arcos e consequente perda de oportunidades de roteiro, principalmente no 2/3 da trama que tem um gancho que (espaço pra opinião pessoal) pouco me atrai para ver uma 5ª temporada. Enfim, ao menos o Flash não se perdeu pelo tempo novamente...

Bom, fica chato bater nessa tecla, mas realmente o formato de 23 episódios não colabora em nada pra uma série dramática ser bem sucedida - em uma queixa pessoal que perdura por vários anos. Mas como eu disse, em time ganhando não se mexe. E a CW debruçada em seus bons números de audiência, e casa da DC que é, naturalmente não demonstra a mínima vontade de mexer uma palha para que o status quo da série nessa temporada fosse além da característica do vilão e se estabelecesse na qualidade da série como um todo. Uma pena, porque dá pra notar a agonia de Grant Gustin e de grande parte do engessado elenco.

PS: Harrison Wells (Tom Cavanagh) é o melhor personagem da série, disparado. Nem em Cisco (Carlos Valdes) conservo esperanças.

PS 2: "Enter Flashtime" (S04E15) é o melhor episódio da série em anos, mostrando que uma ideia simples e bem executada vale MUITO.

PS 3: Ralph Dibny (Hartley Sawyer) como Homem-Elástico é aquele amigo que desperta o que há de melhor em nós, no caso em Barry Allen. =)

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André Prado
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