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RESENHA SÉRIE: THE ALIENIST (1ª TEMPORADA)

RESENHA SÉRIE: THE ALIENIST (1ª TEMPORADA)

Ambientada no final do século XIX, a primeira temporada da série logo abre mostrando um corpo encontrado na ponte do Brooklin em 1896. As características chamam a atenção da polícia: a crueldade do assassinato e o fato de a vítima ser um prostituto. Um jovem vestido com roupas femininas que teve os olhos e genitais arrancados.

O século XIX ficou caracterizado pelas consequências da Revolução Industrial,  onde o desenvolvimento, gradativamente, gerou um grande êxodo de pessoas que, em busca da riqueza conquistada pela burguesia, iam atrás de uma vida melhor para deixar o proletariado.

Esse roteiro, que todos conhecem, acompanhado pela expansão das cidades trouxe também algo que por mais conhecido até ali, fora sempre visto e tratado debaixo dos panos: a criminalidade.

Apesar dos métodos criminais serem julgados sob uma ótica mais dicotômica naquele tempo, um crime como este não poderia ser medido dessa forma...

Assim como acompanhamos em "Mindhunter" e em "Manhunt", o nascimento de técnicas forenses para tentar "adentrar" na mente dos assassinos sempre foi um terreno espinhoso, que requeria um investimento de tempo, não disponível à polícia que, como instrumento social por si só, nem queria passar a admitir uma impotência.

Então nesse beco sem saída, a NYPD, carregando consigo a descrença da opinião pública, não vê outra alternativa a não ser recorrer aos "alienistas" (como psicólogos e psiquiatras eram chamados na época) para tentar trazer algum resultado mais consistente.

Nesse momento que entra o personagem Laszlo Kreizler (Daniel Brühl), o alienista do título que, atento ao crime acima, entende o assassinato como obra de um serial killer. Ele, então, instui a necessidade de compreender, primeiro, as motivações do assassino para capturá-lo mais rapidamente.

Reunindo uma dupla de sidekicks - no mínimo inusitada - o ilustrador da NYT John Moore (Luke Evans) e Sara Howard (Dakota Fanning), a primeira mulher a trabalhar na NYPD compõe os dez episódios de uma trama à la Sherlock Holmes, que claro, conta com um protagonista extremamente perspicaz e antipático, dono de um passado misterioso.


Adaptação do livro homônimo de Caleb Carr, a limited series da TNT (e agora Original Netflix) "The Alienist" ao seu final, ironicamente, apresenta uma dualidade, analisada pela psicologia aplicada por Laszlo diante do assassino.

Por trás de uma ambientação belíssima, o thriller em si, infelizmente, apresenta ora momentos inspirados e ora momentos muito vagarosos (de dar sono), algo que em uma série de apenas 10 episódios, não esperamos que aconteça.

Todas as séries de investigações criminais seguem uma métrica simples: corpo - método - investigação - psicologia- descoberta, e, como você vê acima, "The Alienist" não foge da regra (para a felicidade daqueles que adoram histórias investigativas). Portanto, era mais do que necessário que esse arroz com feijão seja bem temporado, para não passar batido (mas não é isso o que acontece).

Em contraponto, se a resolução do crime chega a ser anti-climática ao ser resolvida de uma forma tão simples (não só óbvia), os personagens carregam consigo fatores positivos que são capazes de envolver o espectador ate o final.

Um deles pra mim é o fato de o mesmo não cair no clichê romântico... Sara se apresenta como uma mulher transgressora, além de seu tempo, que é capaz de protagonizar várias discussões ótimas com Kreizler. Outra é a sua coerência dramatúrgica: Kreizler tem um arco muito bem construído que mostra a paixão pelo seu trabalho e a sua obsessão na análise da mente criminosa.

Concluindo, o roteiro de "The Alienist" não tem nada de novo a oferecer, mas sustenta a curiosidade do espectador ao apresentar uma ambientação histórica de uma NY fria e chuvosa do século XIX que beira a perfeição.

Então, há qualidades: falamos aqui de uma série interessante e atraente, mas que ao seu final deixa claro de que não é capaz apresenta uma trama que consiga se sustentar além dessa temporada (a não ser que Kreizler seja um tipo de Robert Langdon e por ser uma limited series, imagino que não vá).

Clube Minha Série
André Prado
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