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RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAMS #08 - AUTOFAC

RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAMS #08 - AUTOFAC

Com potencial de ter uma série própria, "Autofac" narra um mundo que Philip K. Dick imaginou se a guerra tivesse tomado seu curso natural: de destruição. Escrito em 1955, apesar de sua direção pessimista, o conto tem a grande diferença em não vilanizar os robôs, mas sim os transformar em esperanças da humanidade.

De início trata-se da simples narrativa distópica de humanos x I.A, porém, a grande sacada de "Autofac" e o que faz o episódio ser um dos melhores de "Electric Dreams" (pra mim ao lado de "Real Life"), é seu potencial reflexivo sobre nosso lugar e seu brilhante plot twist que deixa no ar inúmeras discussões que a história carrega consigo sobre consumismo; claro que com aquele toque dos melhores sci-fi.

A Autofac foi criada como uma fábrica que nunca fecha, em que a I.A. tem a principal orientação de atender a quem precisa dele, mas também atendendo a quem não precisa. Até aí tudo bem, mas para o pequeno povoado, a fábrica é também a grande responsável pela poluição do planeta e responsável por deixa-los à beira da subsistência. Então o grande plano é simplesmente destruir a Autofac de dentro, retomando o controle de si mesmos.

É impossível não notar aí a gigantesca ironia de quem chegou ao ponto de automatizar tanto as suas tarefas, acabar por ter sido relegado a simplesmente "sentar e esperar" por sua sobrevivência.

Arriscando as suas vidas para invadir a avançadíssima Autofac, o grande twist se dá na relação entre a androide Alice (Janelle Monae) e a "rebelde" Zabriskie (Juno Temple).

A ideia central do episódio se dá em imaginar o que aconteceria a automação se a humanidade fosse destruída, mas sobretudo sobre a percepção do que é real. Após uma guerra nuclear que devastou o planeta, consequentemente a Autofac tornou-se a principal responsável por abastecer os sobreviventes com os bens de consumo naturais do planeta, e a própria humanidade.

Logicamente contar disso é revelar mais sobre seu enredo, logo, sobre suas viradas. Mas o grande ponto é como a tão almejada conveniência pode um dia se virar contra nós mesmos com o avanço da inteligência artificial.

Não tivemos nosso planeta destruído, de início já é dito que nós mesmos o destruímos. Criamos um plano B usando essa inteligência artificial para nossa "sobrevivência", mas ela inteligentemente inverteu os papeis. A conveniência continuou sendo regra. Mentes humanas transformaram sonhos em dados, e para a Autofac sobreviver, ela entendeu que precisa dessas mentes para consumir seus produtos. Simples.

Sim, sinto em lhe dizer que somos todos substituíveis.

As outras resenhas do Descafeinado sobre "Electric Dreams" (em ordem de exibição na Amazon):

E01. The F Maker - O totalitarismo de PKD
E02. The Impossible Planet - Os sonhos para nos manter vivos
E03. The Commuter - Há um lugar melhor para nós?
E04. Crazy Diamond - Talvez tenhamos que olhar para trás
E05. Real Life - O peso das nossas lembranças
E06. Human Is - Coração e otimismo
E07. The Father Thing - Você é um alienígena!
E10. Kill All Others - "Ideias são à prova de balas"

Clube Minha Série
André Prado
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