RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAMS #07 - THE FATHER THING
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RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAMS #07 - THE FATHER THING

Como você pode acompanhar nas resenhas que você pode ler abaixo, o cerne da obra de PKD e em "Electric Dreams", é a sensação de não pertencimento e/ou de algo estar sempre muito errado com o nosso redor.

Comum nos anos 50 e 60, as histórias sci-fi sobre trocas de corpos entre humanos e alienígenas são clássicas na cultura pop, então não é mera coincidência que você lembrará de "Sinais" de M. Night Shayamalan e de "Stranger Things", mesclando a aventura ao sobrenatural.

Aqui, Charlie Cotrell (Jack Gore) é uma criança normal que tem uma relação próxima com seu pai (Greg Kinnear), e que após um evento astronômico, tem a sua casa "invadida" por alguém que Jack tem a certeza que não é ele. Após um evento pra lá de estranho em sua garagem, Jack nota que o jeito do seu pai mudou e tornou-se bem suspeito. Passando por louco, mas com a certeza de que seu pai não é mais o seu pai, Jack reúne seus amigos para enfrentar esse "estranho" que ameaça a sua mãe, e eles descobrem que "o seu pai" passou a esconder, faz parte algo MUITO maior.

 Apesar da simplicidade da narrativa, "The Father Thing" também carrega consigo um comentário social importante sobre a relação entre pai e filho. Um universo importante e representativo.

Escrito em dezembro de 1954 e com 15 páginas (e logicamente atualizado para os dias atuais na série), o conto não apela pra surpresas e foca mais na narrativa; talvez o que faça o conto ter um final fraco, sendo esse um fato que tenha pesado na minha avaliação sobre a releitura no episódio. Mas mesmo dos contos e episódios mais fracos, em relação a PKD sempre dá pra tirar alguma coisa.

Amadurecer é algo complicado. De repente crescemos, e alguém ou aquilo que nos parecia bom já não é mais. E como agir assim naquela época? Talvez PKD escreveu este conto narrando este sentimento de mordaça, de um tempo onde não enxergava-se mais os pais como espelhos, mas também como uma sensação de estranheza sobre algo potencialmente a ser evitado.

Sendo mais uma obra que carrega consigo o seu tempo, das décadas em que as relações entre as pessoas eram restritas ao pensamento binário da Guerra Fria e a ideia do "nós contra eles", diria que guardadas as devidas proporções "The Father Thing" guarda semelhanças com "Human Is" sobre o aspecto da mudança de corpos entre humanos e alienígenas, porém, aqui PKD envereda pro lado mais tradicional do sci-fi em relação aos alienígenas, ao enxergar a troca de corpos como uma alegoria para a mudança que nos atinge e em certo ponto da vida nos faz ver alguém que amamos de outra forma.

As outras resenhas do Descafeinado sobre "Electric Dreams" (em ordem de exibição na Amazon):

E01. The F Maker - O totalitarismo de PKD
E02. The Impossible Planet - Os sonhos para nos manter vivos
E03. The Commuter - Há um lugar melhor para nós?
E04. Crazy Diamond - Talvez tenhamos que olhar para trás
E05. Real Life - O peso das nossas lembranças
E06. Human Is - Coração e otimismo
E10. Kill All Others - "Ideias são à prova de balas"

André Prado
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