RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAM - THE IMPOSSIBLE PLANET
[ editar artigo]

RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAM - THE IMPOSSIBLE PLANET

No conto "The Impossible Planet" a premissa de Philip K. Dick é simples, mas a construção do enredo em contrapartida, é cheia de sentimento e significado.

Em um futuro tão distante quanto podemos imaginar, PKD constrói uma realidade aonde a Terra já não existe mais, destinando os seres humanos a vagar livremente pelo espaço colonizando planetas e capitalizando o universo.

Brian Norton (Jack Reynor) e Ed Andrews (Benedict Wong) trabalham numa empresa de turismo intergalático chamada "Astral Dreams". E ao fim de mais um dia de expediente vendendo sonhos como qualquer empresa de viagem subliminarmente faz, suas dinâmicas mudam quando uma velhinha de mais de 300 anos chamada Irma Gordon (Geraldine Chaplin) bate na sua porta. O pedido dela é simples, quer visitar a Terra, e ela quer pagar em (muito) dinheiro pra isso.

Claro que inicialmente eles se opõem e se confrontam por causa do desejo de Irma, afinal, a Terra é um planeta que não existe há séculos; mas ao Ed ver a mala de dinheiro não lhe resta dúvidas: tem que achar um planeta parecido no espaço. E acha, um com uma lua, nove planetas ao redor e um sol. Afinal, a "Astral Dreams" sobretudo vende sonhos e qualquer agência de viagens sobrevive pelo desejo alheio, e naquela empresa os "artistas" digitais trabalham com palhetas de cores que fazem brilhar nossos olhos independentemente se essa é a realidade que os viajantes veem - ainda mais quando esta é surda e próxima a morte como Irma...

Mas...
 

"O essencial é invisível aos olhos. Os homens esqueceram essa verdade, mas tu não a deves esquecer."

Freud dizia que os sonhos eram "resíduos diários", que trabalham liberando elementos reprimidos como desejos e temores que muitas vezes não conseguimos racionalizar e/ou verbalizar, significando assim nada mais do que uma válvula de escape para o auxílio do nosso equilíbrio. E o sonho é ficção. Ficção nada mais é do que um amontoado de ideias fantasiosas influenciadas pela realidade do autor. Não importa se isto ou aquilo importa mais a quem lê ou vê, a ficção criada pelo autor é simplesmente um escape, uma alegoria utilizada como crítica ao ambiente que ele vive - tóxico no caso de PKD em plena Guerra Fria.

Uma mostra da mensagem que vai se completando é quando Brian, titubeia a Irma quando esta pergunta se ama sua esposa distante. A ama e ele está lá trabalhando por esse sonho, mas na verdade o sonho de sua companheira não é (mais) o mesmo dele. Em algum momento ele se perdeu da arte; como se as cores tivessem se apagado, ou se Marte tivesse se tornado verde.

Mas a centenária velhinha tem apenas 2 meses de vida. Nessa revelação do androide RB29 (Malik Ibheis) a Brian, ele percebe que o último sonho que Irma vendeu a "Astral Dreams" tinha um forte senso de finitude e desolação por trás. Foi aí que "O Planeta Impossível" chamado Terra, tornou-se real diante seus olhos e aquele espaço sem fim perdeu de vez a sua importância. 

Ainda na nave, Irma demonstra uma sinceridade e inocência que David, transparecido nos diálogos com Ed e no seu olhar distante, não sentia mais ao redor. Ele vê que os sonhos que a "Astral Dreams" vendia, eram nada mais que uma mentira sem significado algum. E é curioso que RB29 no final das contas, tenha lançado mão da lealdade robótica em serviço da empatia diante a uma frieza humana comum de Ed. 

Talvez Irma tenha se apoiado nos sonhos para manter sua sanidade, agarrando-se a uma foto e relembrando um tempo aonde seus avós lhe diziam que se sentiam completos e abraçados por uma vida simples e cheia de significado na Terra. É o que ela nunca esqueceu, e é o que a cativou quando o final se aproximou. 

"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."

David aos poucos se tornou um cavalheiro para a singela Irma, Irma tornou-se para ele o sonho que o libertaria daquela realidade vazia. Haveria melhor alegoria disso quando ela ficou jovem para ele, significando um passado que ele se esqueceu ou nunca viveu?

Clube Minha Série
André Prado
André Prado Seguir

O DescafeinadoBlog é um espaço pra compartilhar a minha paixão pelos filmes e séries com vocês, e agora no Clube Minha Série tenho uma oportunidade e tanto de demonstrar a visão que tenho sobre essas paixões. Acessem, please!

Continue lendo
Indicados para você