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RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAM - THE HOOD MAKER
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RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAM - THE HOOD MAKER

Philip K. Dick nos joga no meio da ação, para aos poucos juntarmos a peças necessárias.

Somos guiados por um agente e sua parceira, Ross (Richard Madden, o Robb Stark de Game of Thrones) e a teep Honor (Holliday Grainger), numa investigação debaixo de olhos desconfiados tanto de outros policiais, do governo e principalmente desses telepatas. Essa parte da população mutante chamada de teep é aliada do governo totalitário vigente, e sendo capazes de ler mentes, denunciam traidores, mas causam mais medo por adentrarem em toda e qualquer pessoa sem os seus poderes.

Não é a toa que "Honor" é o nome de uns do protagonistas, honra em português. Estamos numa época que todos perderam a sua em algum ponto.

Tidos como evolução natural da espécie humana, os telepatas teeps vivem em um mundo próprio sem segredos, são vítimas do regime e tanto da população como minoria marginalizada, mas sabem muito bem o que querem e de quem querem.

Ela em certa parte da história diz que é capaz de "ler mentes muito antes de ler livros". Daí é fácil traçar o paralelo. Se somos livros abertos, o que teríamos a temer? É na única área em que não se tem nenhuma jurisdição, o Governo julga e condena enquanto se pergunta se isso é moralmente correto.

Oras, se não temos nada a temer, porquê então as pessoas de bem discutiriam contra ao sistema vigente? E o que aconteceria com quem é contra?

Em um ambiente tão polarizado que vivemos, aonde o direito a individualidade é defendida com unhas, dentes, paus e pedras esquecendo-se do que significa unidade através de uma sucateada política, é impressionante que um conto de 1955 se mostre tão atual e pertinente.

De cara, a antologia "Electric Dreams" deixa claro que compará-la com "Black Mirror" é uma limitação enorme. A série da Channel 4 e transmitida pela Amazon Prime Video é uma ficção-científica muito mais elegante e tradicional.

Em "The Hood Maker" (algo como os "fabricantes de capuzes") ter conhecimento é poder, e ter uma máscara também é poder; é acima de tudo necessário. Mas quem tem o real poder? São encapuzados por um pedaço de pano que os mais poderosos são capazes de se proteger dos telepatas, e é interessante observar que ao final na relação carnal que se estabelece entre Ross e Honor, perceber que a confiança se estabelece tanto pelos segredos e quanto pela verdade.

Claro que o conto levanta a bola pra outras questões. Mas parece óbvio que na falta de uma tolerância vigente, tanto os telepatas quanto encapuzados do episódio, são parte da mesma resistência.

André Prado

André Prado

A ideia não era essa na sua criação a nove anos, mas resumindo: o DescafeinadoBlog é um espaço pra compartilhar a minha paixão pelos filmes e séries com vocês. Acesse abaixo please!

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