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RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAM - REAL LIFE

RESENHA SÉRIE: PHILIP K. DICK'S ELECTRIC DREAM - REAL LIFE

A faculdade ainda não me deixou, mas depois de um bom tempo e de trabalhos terminados, lentamente eu vou retornando as resenhas de Electric Dream.

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As lembranças nos fazem reais. Certamente essa seja a principal mensagem que podemos retirar da trama de "Blade Runner", por sinal, também baseado em um livro de Philip K. Dick; então não é só coincidência que o peso das lembranças também sejam abordadas em "Real Life".

No quinto episódio de "Electric Dream" e adaptação do conto "Exibit Piece", somos apresentados a Sarah (Anna Paquin), uma policial atormentada pelo passado do século XXII e que deseja tirar umas férias desse seu presente. Então à la "USS Callister" (S04E01) de "Black Mirror", sua esposa Katie (Rachelle Lefevre) lhe oferece um simulador virtual esperando que Sarah consiga o seu tão merecido descanso. Do outro lado temos o game designer George (Terrence Howard), que é viciado nas simulações e não consegue mais discernir o que é real ou não na sua vida.

É justo dizer que se tratando de "Real Life", uma sinopse lógica tiraria grande parte do brilho dele. Guardando-se mais no conceito do que nas relações dos personagens, o episódio apresenta uma linha narrativa torta, extremamente reflexiva, sem que possamos em algum momento definir em nossas mentes qual das duas histórias é verdadeira. Então basta dizer que o episódio é construído em cima das simulações vividas pelos protagonistas.

Em um conto dos anos 50, PKD consegue exprimir muito bem as angústias modernas. E "Real Life" é o melhor episódio da antologia até agora.

Até aonde estamos dispostos a ir para fugir do passado? Sarah e George tem passados semelhantes em que a dor de uma perda e a sensação sufocante de culpa os fazem querer viver em outra realidade, e essa é a grande chave no episódio. Vida real versus vida virtual, deleitar-se com os sonhos ou viver no pesadelo? A realidade é construída pelas experiências que temos, e o que julgamos como real pode ser muito bem o que queremos aceitar como verdade. E se hoje o homem usa as drogas, amanhã a tecnologia poderá muito bem tomar o seu lugar.

O velho "e se" é inerente em tudo o que fazemos, pois, certo ou errado, sempre pensamos no que poderíamos ter feito. Acompanhadas com risadas ou lágrimas, para abrir os olhos e transformar o que vivemos em algo real, necessitamos primeiro aceitar as nossas cicatrizes. Algo que Sarah desistiu de tentar, mesmo sendo feliz.

Entre deja-vus, fragmentos de lembranças e perda de memórias, há sempre uma vontade inabalável de querermos estar em algum lugar distante. É a boa e velha ficção científica que entra com a metalinguagem pra rediscutir velhos problemas humanos.

E você, prefere se afundar aonde?

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André Prado
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