Resenha Série: Blindspot (3º Temporada)
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Resenha Série: Blindspot (3º Temporada)

Leia aqui a resenha da 1ª e 2º temporada, depois volta pra cá.

Assim como séries médicas ou os gêneros de terror e de comédia romântica, séries policiais tem uma fórmula batidíssima; contudo, como o arroz e feijão da sua mãe, um bom tempero narrativo faz todo o diferencial. Esse tempero é a ação, e com muita competência que Martin Gero se utiliza dessa ação pra manter "Blindspot" elétrica e viciante com alguns poréns.

Recapitulando sem maiores spoilers, Jane Doe (Jamie Alexander, a Sif de Thor) ou Joana Ninguém, é uma (deusa asgardiana) agente terrorista que foi largada dentro de uma sacola sem nenhuma memória no meio da Times Square. A base para os casos, além do fato da sua memória aos poucos ir se reconstruindo, são as suas dezenas de tatuagens (então sim, ela por inteiro é um grande quebra-cabeça). E ao longo das duas temporadas anteriores, vimos ela juntamente com o FBI reconstruir isso, envolver a nebulosa CIA (e prato cheio para conspirações de séries policiais), pra finalmente desmantelar uma célula terrorista chamada Sandstorm.

Após muito barulho, no início da terceira temporada, Jane e Kurt Weller (Sullivan Stapleton) estão curtindo seu merecido descanso BEM afastados do FBI, quando, ativados por luminescência (só eu que achei isso forçado?), mais tatuagens de Jane "magicamente" se revelam, logo, mais pistas. A base de "Blindspot" é o mistério, e apesar de o roteiro simplesmente deixar interpretar que o seu irmão Roman (Luke Mitchell) é o inimigo da vez, as tatuagens e para onde elas levam, revelarão ainda mais o passado e o quanto o poderoso Hank Crawford (David Morse) está envolvido nisso.

Nesta temporada que acompanhei semanalmente eu pude entender essa sensação, logo, o porquê que essa boa série tem números tão mornos de audiência. Em diversos momentos passou pela minha cabeça acompanhá-la até o final dessa temporada e depois abanar a mão, mas apesar dos poréns, vale a força de vontade. Apesar do número grande de episódios (22) que por consequência a tornam, repito, cansativa (cada vez mais me convenço de que 10 ou 13 episódios é o número mágico), a construção frenética de "Blindspot" é capaz de nos manter atentos, consequentemente tornando-a perfeita para se maratonar.

O esquema "polícia e bandido" novamente não decepcionou ao seu final. Apesar das liberdades que o roteiro toma tecnologicamente (o FBI descobre absolutamente tudo!), o mesmo também é muito bem-sucedido no trabalho narrativo de seus personagens ao identificar quem é realmente importante pra trama, mesclando fixos e recorrentes sem que sintamos falta de um e de outro, ou usando de artifícios absurdos pra manter alguém naquele compasso de espera. "Blindspot" toma liberdades, mas também é crível. Nesta season finale, entendemos que sempre alguém ocupa os vácuos do poder, e que mais do que nunca é Jane Doe a dona das grandes viradas da série, agora sem dar tanto foco as tatuagens mas sim a sua memória. E é assim, reutilizando artifícios, que "Blindspot" retornará numa quarta temporada que promete o bom mais do mesmo. Nos deixando no aguardo de um tenso embate entre Edgar Reade (Rob Brown) com a agora ex-agente Natasha Zapata (Audrey Sparza), e da desfalcada equipe com Blake Crawford (Tori Anderson).

Concluindo, reconheço que não dá pra escapar da fórmula repetitiva de uma série criminal e as suas famigeradas barrigas. Porém, apesar das armadilhas, "Blindspot" surpreendentemente se manteve empolgante e cheia de mistério graças a sua boa fórmula, algo que nesta terceira temporada não foi diferente e teve em seu final uma saída mais criativa do que a luminescência das tatuagens. Saiu a célula terrorista, entraram as grandes e nebulosas negociatas de homens fortes e poderosos, e agora com essa nova virada? É certo afirmar que Martin Gero sabe o que fazer em "Blindspot" e ele não deixa cair a bola da ação em nenhum momento. Portanto, quem acompanha a série não foi pego de surpresa pela notícia de sua renovação para uma quarta temporada, apesar dos números mornos de audiência nas sexta-feiras da NBC.

Não será surpresa se futuramente vermos "Blindspot" ser cancelada e logo após abocanhada por algum serviço de streaming (como recentemente "The Expanse" e a finalizada "Orphan Black"): ela é uma série de nicho, maratonável. E é por causa justamente desse arroz com feijão bem temperado, que a série é saborosa de se assistir enquanto se relaxa no sofá.

André Prado
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A ideia não era essa na sua criação a nove anos, mas resumindo: o DescafeinadoBlog é um espaço pra compartilhar a minha paixão pelos filmes e séries com vocês. Acesse abaixo please!

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