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Resenha da animação (Des)Encanto (1ª Temporada)

Resenha da animação (Des)Encanto (1ª Temporada)

Quando a gente ouve o nome de Matt Groening já prestamos atenção. O criador de Os Simpsons e Futurama é o grande responsável pela fatia do que conhecemos hoje por "desenhos adultos", e se hoje amamos "Rick and Morty" e rolamos de rir em "Family Guy", devemos muito a esse cara.

Salvo a babação de ovo, é fato que grande parte das pessoas não vê mais aquela graça na família muito linda e também ouriçada de Springfield. Por um lado, se o humor ácido ainda está lá, por outro há um desgaste natural pelo programa estar no ar há 30 anos (desde 1989).

Contudo, se o humor é pessoal e o Homer pode não ter lá a mesma graça, "este humor" também é nada mais que um reflexo sobre o tempo em que vivemos.

A geração de ontem (da qual faço parte), não é a geração de hoje e não será a de amanhã, logo, não podemos negar os méritos ultra-blaster enormes de a animação estar no ar por todos esses fucking anos sendo capaz de atravessar limites e gerações.

Uma mostra óbvia de como a animação constantemente se recicla, é o fato de hoje ela ter intensificado o uso de piadas rápidas e ter transformado a couch gag em um potencial viral quando reproduz algo marcante na cultura pop atual ("Game of Thrones" e "Rick and Morty", por exemplo).A reciclagem não é de hoje, é desde sempre. Nada se cria, tudo se copia.

O esquema familiar que Groening foi buscar d'os Flintstones e Jetsons, inegáveis sucessos da Hanna-Barbera (se não me engano o primeiro ainda segue no ar), é apenas um reflexo de como o humor vive disso. Hanna e Barbera sabiam "do pulo desse gato".

Matt apenas trouxe as famílias disfuncionais para o presente injetando o humor necessário à aquela época, e Groening criou "Futurama" substituindo a família por um grupo de amigos; agora ele faz o mesmo em "(Des)encanto", trazendo esses amigos para a Idade Média.

É assim que o mundo gira. Afinal a grosso modo, "Family Guy" percorre essa mesma linha; e o celebrado "Rick and Morty" pode não ser composto por "um grupo de amigos", mas é também uma família disfuncional que mescla esses dois aspectos. Não é?!

De início, tudo o que nos é apresentado nos parece típico de Matt Groening como um lugar quentinho que adoramos revisitar. O traço é igual (tanto que o Elfo Elfo tem as mesmas vestimentas do Bart), o ritmo (que encontramos em Os Simpsons atualmente) também, só que as tiradas (infelizmente) nem tanto.

Repito que entendo que o humor em si, ele é algo muito pessoal e nem todos irão rir da mesma forma diante a mesma piada. Mas a realidade é que "(Des)encanto" deixou a impressão de não querer se arriscar em nenhum momento, escolhendo jogar em um terreno conhecido e, exceto os memes da dublagem, abre poucos espaços para um riso genuíno do público, apenas sorrisos amarelos e risinhos em frente ao absurdo da situação.

Não me entenda mal sobre a dublagem, ela é ótima - e acho que talvez essa seja uma qualidade quase que exclusiva das animações - mas a mesma no meu ponto de vista "pesa a mão" demais nos memes.

O que é divertido hoje, mas tornará amanhã a dublagem da animação extremamente datada; já que memes por si só não demoram semanas pra deixar de existir.

Se em suma, o objetivo da dublagem é tornar o "desenho" mais palatável e atemporal, daqui a 5 anos o artifício utilizado que arrancou alguns sorrisos de mim, por consequência deixará de existir. Aliás, quem ri ainda com "mamãe passou açúcar em mim" ou "sopa pá nóis"?

O encerramento insosso e nada conclusivo será responsável por afastar grande parte do público, e o fato de Groening ter entregado de início uma animação abaixo das expectativas na questão de humor, também será responsável por afastar uma fatia de público mais crítica (e que não tenha tanto tempo diante a TV).

Talvez por ela ser prometida inicialmente pra ter 20 episódios, a sensação final é que, ao saber disso, "(Des)encanto" parece ser um grande piloto no final das contas - e o primeiro episódio (o pior de todos), o piloto do piloto.

É fato que esperei muito mais do responsável por transformar "Os Simpsons" em uma parte integrante de mais de uma geração, o que não é pouca coisa. No caso, promessas, expectativas e prática se contradisseram. Então: "Achou errado otário".

Por isso, salvo esses problemas, a animação é linda, a trilha sonora é eficiente, e o trio de personagens principais (Bean, Luci e Elfo Elfo) é cativante, carismático (não a ponto de Fry, Bender e Leela) e bem escrito - em contraponto aos personagens das tramas paralelas. E tudo isso em conjunto, rende momentos que nos fazem permanecer em frente à TV naquela tarde preguiçosa.

O saldo é mediano e a animação é claramente feita para durar o hoje (assim como praticamente o catálogo inteiro de séries da Netflix), mas eu recomendo aguardar a segunda parte para tirar melhores conclusões.

Clube Minha Série
André Prado
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