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Gotham - O doce sabor da liberdade

Gotham - O doce sabor da liberdade

"Patrão Bruce, cuidado com os spoilers" - Pennyworth, Alfred.

Gotham é uma série que comecei a ver logo no início e admito que, depois de um começo promissor, comecei a perder o interesse. A inconsistência dos roteiros, que variavam na média entre um bom episódio e três totalmente sem sal, foi cansando e a cada semana minha vontade de ver também diminuía, deixando cada episódio sempre longe das prioridades, às vezes acumulando dois ou três. 

Não consigo precisar exatamente quando isso começou a mudar, mas se não me engano foi quando decidiram explorar Jerome Valeska. A ideia de um (quase) Coringa antes mesmo do surgimento do Batman, a princípio, pode não agradar muito, mas a mim parece que foi a partir desse momento que Gotham começou a ganhar uma certa liberdade criativa, se assumiu definitivamente como um adaptação "infiel" de seu material original e levou o programa a lugares que talvez nem mesmo os roteiristas haviam imaginado. E como isso fez bem ao seriado!

Nessa última temporada, que ainda teve o privilégio de saber estar preparando o terreno para o encerramento da série (no próximo ano, já confirmado), foi onde finalmente Gotham conquistou sua identidade, investindo em alguns pontos que merecem destaque e funcionaram, vou citar alguns:

Sem respiro: não houve tempo para chorar pitangas, para ficar longos momentos contemplando o horizonte ou se lamuriando pelas decisões tomadas, a trama foi ágil, a ação não deu folga aos habitantes de Gotham e nem ao telespectador, o que se revelou um acerto. 

Até a última ponta: nessa quarta temporada, as histórias foram exploradas ao máximo. A guerra entre Sofia Falcone e o Pinguim foi a extremos, a perseguição ao Professor Pyg se estendeu de forma tensa, e a mágoa de Bullock durou o tempo necessário para começarmos a sentir sua falta e odiar as escolhas de Gordon. 

Liberdade criativa: como citei antes, assim que começou a explorar possibilidades sem se limitar tanto pelo material original, a série cresceu. Valeska trouxe a loucura necessária e, embora fosse possível ver a transformação de Jeremiah há quilômetros, isso não a deixou menos interessante. Assim como muito do que aconteceu. 

Mas é claro que não foram só acertos na temporada. A história com Ra's Al Ghul foi meio atropelada, a passagem da "Cabeça do Demônio" ficou confusa e deslocada no restante da trama, entre outra coisas, mas no fim, o saldo foi muito positivo. A fase babaca do Bruce também foi forçada e durou tempo demais. 

Mas, no resumo: Selina ferida; Gordon com o que virá a ser um dia o batsinal no telhado do departamento de polícia de uma cidade devastada; as pessoas que sobraram assustadas e desprotegidas; os territórios divididos por gangues lideradas pelo Pinguim, Sereias de Gotham, Vagalume, entre outro; Jeremiah à solta; e no meio de tudo isso um Bruce Wayne aceitando seu destino de ser o cavaleiro das trevas que a cidade precisa. 

Enfim, tudo isso, sem dúvida, me deixa muito ansioso e confiante pela última temporada. E que venha o Batman!

 

Clube Minha Série
Luciano Rodrigues
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Jornalista, escritor, assessor de comunicação e palpiteiro de plantão.

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