[ editar artigo]

EM "KILLING EVE" O BEM E O MAL COEXISTEM

EM

Em certo ponto da história, (as maravilhosas) Eve (Sandra Oh) e Villanelle (Jodie Comer) sentam-se frente à frente. Claro que a primeira assustadíssima, por ter a sua casa invadida por uma assassina impiedosa que revela sua psicopatia por tratar aquela situação da forma mais natural possível. E naquele "jantar" extremamente estranho, Eve pergunta a Villanelle quem está agindo junto com ela, e ela responde que a Eve que ela se surpreenderia que quem está no topo são mais próximos do que aparentam ser.

É isso o que se revela ao longo dos 8 episódios da série, não só "com quem está no topo", como Carolyne (Fiona Shaw, a eterna Tia Petúnia) .

A trama de "Killing Eve" é extremamente simples e clichê. Basicamente, a inteligência britânica (MI5) precisa impedir que uma organização russa continue matando seus alvos. Mas claro que estou dizendo isso por ter visto toda a série. Mais uma produção brilhante da BBC, "Killing Eve" brilha pela construção de seu universo. Em outras palavras, aquele "espaço" que separa as protagonistas, e tornando as suas obstinações em um ponto comum.

Villanelle é uma mercenária que recebe de Konstantin as coordenadas para matar pessoas dos mais diversos meios sociais e cargos, mas talvez por estar entediada com esta rotina, deseja colocar uma "assinatura" própria nos assassinatos, o que em contrapartida multiplica deslizes e desperta a atenção das autoridades. Tudo o que Konstantin (Kim Bodnia) não quer. Nesta trilha, entra Eve Polastri, funcionária de uma divisão fantasma da MI5, que intrigada com a característica das mortes, começa a questionar a sua chefia para "pensar fora da caixinha" e passar considerar a sua própria investigação que coloca em rota de colisão com a femme fatale.

Lentamente a série vai colocando as duas em rota de colisão e "Killing Eve" nos conquista pela imprevisibilidade. Se Eve pediu aos seus chefes para "pensar fora da caixa", o trio de criadores, Sally Woodward Gentle, Lee Morris e Phoebe Waller-Bridge usam e abusam de um humor muito sutil, pesado e até mórbido ao mesmo tempo (típico inglês), para aos poucos construir um roteiro em uma verdadeira roleta, e surpreendentemente capaz de tornar Eve e Villanelle igualmente carismáticas. E muito.

Aliás, "Killing Eve" nos deixa bem claro a força das duas em contradizer nossas expectativas (ou confirmá-las também, vai saber) em absolutamente TODOS os episódios. Seja pela decisão de Eve em simplesmente sair do carro e olhar para a cara de Villanelle, seja por essa, com todo o seu sadismo e ironia, dizer que vai usar da sua vítima "pra sexo" (isso é uma piada, mas vemos que ela mata porque... sim).

É interessante perceber a obsessão de Eve em finalmente encontrar Villanelle face-a-face. A morte de seu (excelente) sidekick David (Bill Pargrave) por Villanelle, só foi uma licença para a perseguição se tornar mais implacável. O que Eve quer é assumir protagonismo, tal qual Villanelle quer uma vida "normal" com coisas "normais" - mesmo que ela não seja capaz de diferenciar uma ida ao supermercado de um assassinato brutal.

De alguma forma, as duas se veem refletidas. E em caminhos diferentes, paralelos, as duas são igualmente guiadas pelo que gostam de fazer. Diferentes (é impagável ouvir Villanelle admirando o cabelo de Eve e ver Eve admirando as roupas de Villanelle), mas incapazes de se dar um fim.

Demonstrando de outra forma, como os pólos da mocinha e da vilã se atraem e coexistem.

*A série não tem casa aqui no Brasil, então vá na locadora do Jack Sparrow mais próxima, ok?

Clube Minha Série
André Prado
André Prado Seguir

O DescafeinadoBlog é um espaço pra compartilhar a minha paixão pelos filmes e séries com vocês, e agora no Clube Minha Série tenho uma oportunidade e tanto de demonstrar a visão que tenho sobre essas paixões. Acessem, please!

Ler matéria completa
Indicados para você