Arquivo X – Que morte horrível
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Arquivo X – Que morte horrível

A 11ª e, possivelmente última, temporada de uma das séries de ficção mais importantes da história da televisão americana (e do mundo) acabou há algumas semanas, como um lamento desesperado por relevância, mas provando em definitivo que não soube se atualizar, pelo menos no que diz respeito à sua mitologia.  

Se nos episódios fillers Arquivo X conseguiu apresentar alguns resultados satisfatórios (como em "Familiar", o qual falei aqui), apoiado principalmente na nostalgia de ver nossos velhos conhecidos Mulder e Scully de volta e inseridos no contexto atual, na parte mais importante, sua rica mitologia, a série ficou enroscada numa ladainha interminável que não só ultrapassou o limite do absurdo como chegou a ser torturante em muitos momentos. 

"My Struggle", história contada em quatro episódios (primeiro e último da temporada 10 e dessa 11ª), começou promissor ao introduzir a figura do apresentador que fala sobre conspirações globais, trazia provas de que a tecnologia alienígena está entre nós desde os anos 50 e que os ETs nem são tão vilões assim. O desenvolvimento desta trama, que já não era a ideal, foi piorando e a volta do Canceroso era o sinal anunciado do desastre. Trazer o personagem de volta foi um erro gigantesco. Junte a isso o fato de Monica Reyes ser sua assistente, o que desrespeita todo o histórico dela anterior na série (e que não era pouco, ela "substitui" a Scully na 9ª temporada); e acrescente a revelação de que o Canceroso é, na verdade, o "pai" de William. 

Isso é tão errado e em tantas formas que quando comecei a ver o último episódio, não foi possível investir em boa vontade, tanto que levei um bom tempo para criar coragem para assistir. A revelação de que tudo havia sido uma "visão" da Scully, o filho "X-men", a volta do Canceroso, uma nova organização que surgiu do nada, com o propósito de "povoar outros planetas" e também nada acrescentaram, nem quando Mulder sozinho invade o covil e mata todos eles (e por quê? Ah, porque sim), Skinner, enfim... foram tantos erros, tanta má condução da história, tanto desrespeito com a própria série, que fica difícil defender um improvável retorno para mais uma temporada ou, ainda, avaliar se valeu a pena ver os dois agentes do FBI de volta, por mais carinho que tenhamos por eles.  

É uma grande pena, pois Chris Carter tinha a chance de recuperar a série dos problemas que ela sofreu nas últimas temporadas, atualizar Fox e Dana para a época atual sem que isso fosse apenas gancho para fazer piadas com a velhice dos personagens. O programa até tentou tratar de temas atuais, flertou com as fake news e outros assuntos que estão em voga, mas na "hora da verdade", quando tinha que provar que poderia ainda ser uma história com uma mitologia intrigante e inteligente, tal qual cativou os fãs lá atrás, em seus primeiros anos, falhou miseravelmente, epicamente, como nenhuma outra série.  

Foi uma morte horrível de se assistir e um alívio que acabou.  

Clube Minha Série
Luciano Rodrigues
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Jornalista, escritor, assessor de comunicação e palpiteiro de plantão.

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