Arquivo X - 11x08
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Arquivo X - 11x08 "Familiar"

Desde que retornou, na décima temporada no ano passado, Arquivo X vem tentando se mostrar relevante e atual, com sucesso bastante questionado (a sequência inicial desta temporada, por exemplo, lembra os piores momentos da oitava temporada). No entanto, é quando respeita as suas origens que a série mostra porque ainda vale a pena ser vista.

Em Familiar, o oitavo episódio desta décima primeira temporada, temos uma história que lembra, em alguns aspectos, uma série policial padrão, com o assassinato de uma criança em uma pequena cidade, algo que já merece elogios (vítimas crianças são incomuns). As investigações não deixam claro, a princípio, que haja algo de sobrenatural, como Mulder se apressa a supor logo no início, sendo confrontado por Scully. Claro que depois de anos vendo todo tipo de bizarrice, poderia soar um retrocesso que a agente ainda duvidasse do seu colega, mas a trama foi desenvolvida com indícios suficientemente válidos para que ela pudesse questionar as teorias do parceiro, que muitas vezes extrapolam o racional.

O trecho do linchamento também merece destaque dentro do episódio, ecoando na realidade cada vez mais intolerante em que vivemos (quantas pessoas não são hoje em dia vítimas de "linchamentos virtuais", por exemplo?) e o papel do policial que traz provas de que o suposto agressor era inocente é fundamental para se pensar nas injustiças. "Hoje veremos duas injustiças Scully. A morte de uma pessoa inocente e a declaração de inocência de um policial culpado", define Mulder, pontualmente. 

O desenrolar final, que até então deixava no escuro o que realmente estava acontecendo e quem seria o verdadeiro culpado, é feito de forma orgânica e investindo em um clima de terror, que funciona justamente por não exagerar e nem envolver outras pessoas que não os envolvidos (os policiais e suas respectivas esposas).

A cena final, aliás, faz um ótimo paralelo com a bruxa citada no começo do episódio e que teria entrado em combustão espontânea ao amaldiçoar a cidade. "Pessoas não entram em combustão espontânea, Mulder", diz Scully no primeiro momento, para então, no final, admitir ao presenciar a causadora de tudo arder em chamas. "Ela entrou em combustão espontânea". 

Vale ainda um elogio pelo episódio não ignorar o filho dos agentes, que agora "já cresceu", como diz Fox em determinado momento.

No final, a poesia filosófica que Arquivo X busca na maioria dos episódios, mas nem sempre com sucesso, funciona. "Não há saída dessa cidade", cita Mulder e nos faz pensar, se em muitos casos, ainda não estamos vivendo em uma pequena cidade que acredita em bruxas e resolve os problemas encontrando e linchando um culpado. 

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Luciano Rodrigues
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Jornalista, escritor, assessor de comunicação e palpiteiro de plantão.

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