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13 Reasons Why: 2ª temporada aborda questões fundamentais mas peca na mensagem principal

13 Reasons Why: 2ª temporada aborda questões fundamentais mas peca na mensagem principal

[Este texto pode conter spoilers!]

A segunda temporada de 13 Reasons Why estreou no ultimo dia 18 na Netflix tentado dar continuidade as questões levantadas na temporada anterior e algumas histórias que ouvimos nas fitas foram melhor abordadas, a exemplo as interações entre Hannah e Zack/ Hannah e Bryce.

A série tem uma premissa interessante de discutir temas atuais, relevantes e especialmente relacionados à juventude. Assuntos como, drogas, alcoolismo, violência sexual, suicídio, bullying, uso de armas e a questão comportamental dos adolescentes que buscam a aceitação ou pertencimento a um determinado grupo, também fica bem clara nas duas temporadas.

A mensagem que essa temporada tenta passar é que sempre há outro caminho e que é fundamental e importante que se busque ajuda e isso já fica bem enfatizado logo no início com a introdução feita por parte do elenco. O problema é que essa mensagem é passada diferente no decorrer da história em que, fica claro, que buscar ajuda não adianta muita coisa. Além disso, alguns pontos que tentam confrontar a realidade e a necessidade de se repensar os protocolos escolares de combate a violência e ao bullying são expostos em contornos muitas vezes desnecessários e vagos.

Na ação movida pelos pais de Hannah contra a escola a acusação é a falta do devido atendimento à filha nas situações de bullying sofridas por ela. A culpabilidade da instituição estaria atrelada ao fato de não ter prestado o devido apoio e acolhimento favorecendo situações de humilhação e constrangimento que colaboraram para que Hannah chegasse ao extremo de suas ações. Caberia à escola uma defesa que refutasse tal acusação e, logicamente, ter como base a apresentação de protocolos eficientes, depoimentos positivos de alunos e professores, denotação da punição de alunos agressores, etc. Ao invés disso, a defesa baseou-se apenas na degradação moral póstuma de Hannah Baker, como se o aparente comportamento sexual ou inadequado de Hannah eximisse a culpa da escola em não oferecer uma política eficiente de combate ao bullying. Na verdade nada tem a ver uma coisa com a outra, independente do comportamento dos alunos, as escolas tem o dever de prover a segurança de todos. Mas na própria série a suposta culpa de Hannah é vista em muitos momentos, a começar pela denominação que as pessoas faziam do julgamento e o que deveria ser entendido como  “julgamento da escola” era citado como “o julgamento de Hannah” e era bem isso que parecia mesmo.

Um ponto positivo foi a abordagem da elitização da impunidade. Bryce sai praticamente impune de tudo que fez bastou aparecer bonitinho no tribunal, nem mesmo a queixa de estupro respaldada pelo testemunho de Justin resultou em uma pena adequada as ações praticadas pelo rapaz. Considerando que a intenção dos produtores era causar repudio e indignação quanto a falta de justiça aos vários estupros praticados por Bryce, (o que acontece também na realidade, em que muitos estupradores saem impunes) o caminho seria mesmo colocar a impunidade a serviço do personagem.   

Outra discussão relevante e abordada em alguns episódios foi a agressão sexual, especialmente porque foi tratada a questão da culpabilidade feminina que sempre é a justificativa do agressor, como se uma mulher merecesse ser estuprada por causa de uma roupa que veste, por flertar com um cara ou por beber a mais, etc. Ideias que foram refutadas em alguns diálogos e que no final, na declaração de Jessica no tribunal, foi enfatizada que em 100% das vezes que ocorre o estupro a mulher é, de fato, a vítima. Ficou legal a interação das personagens femininas nesse monólogo.

Também foi bastante positivo a declaração da mãe de Hannah ao final do julgamento: “Eu não conheço nenhuma mulher que não tenha vivido abuso sexual, agressão ou pior, nenhuma!” o que indica que muito tem que se refletir a respeito de vítimas e agressores e como as leis e políticas relacionadas tem se colocado diante dessa realidade.

A questão das armas, que considero bastante delicada tendo em vista o histórico americano, ficou em aberto e o vilão da próxima temporada parece ter se apresentado na cena brutal da agressão sofrida por Tyler.  

No geral essa segunda temporada mostrou-se menos interessante que a primeira e em alguns episódios cheguei a ficar entediada. Assim como na primeira temporada, essa tentou abordar muita coisa e acabou falhando na condução de algumas questões, especialmente na mensagem principal da série que seria de incentivar o diálogo e a busca por ajuda e acaba sendo frustrante porque na maior parte do tempo os adolescentes agem por conta própria, são desacreditados, sendo conduzidos por um sistema que apoia a segregação e distinção social e se omite ao extremo sem ser penalizado por isso. 

Parabéns à parte: Para Kate Walsh e Justin Prentice pelas boas representações do sofrimento e crueldade, respectivamente.

Desnecessário:  O “espirito” de Hannah ficar aparecendo para Clay.  Os flashbacks já seriam suficientes na representação das ideias e na compreensão das histórias.

 

Clube Minha Série
Luciana Pereira
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Estudante de Administração, apaixonada por Grey's Anatomy e por várias outras séries, adoro ler a respeito desse universo tão recheado de coisas legais e estou me aventurando a escrever e compartilhar opiniões.

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